O Natal não é só uma data. É um símbolo recorrente, desses que atravessam séculos como uma lamparina acesa. A imagem da criança, tão pequena e tão central, toca um nervo secreto da alma: a ideia de que algo essencial pode renascer sem barulho, sem aplauso, sem “provas” para ninguém.
Na psicologia simbólica, a Criança Divina não é “infantilidade”. É o oposto do cinismo. É a parte de nós que ainda consegue começar, confiar um pouco, aprender de novo, brincar sem pedir desculpas. Ela carrega futuro. Por isso assusta: porque futuro exige risco, e risco exige vulnerabilidade.
O mundo adulto, quando endurece, cria uma fantasia de controle: “se eu planejar tudo, eu não sinto”. Só que a alma não vive de planilhas. Ela vive de sentido. E sentido, muitas vezes, nasce como nas histórias antigas: numa noite simples, num lugar improvável, com pouco recurso, mas com uma presença indiscutível.
Talvez a mensagem mais delicada do Natal seja esta:
o sagrado não nasce no palco. nasce no estábulo interno.
Onde a gente guardou o que é frágil. Onde a gente escondeu o que é puro para não ser ferido. Onde a gente colocou a esperança de castigo, para que ninguém a encontre.
E aí vem a pergunta que muda tudo:
se a Criança Divina nascesse hoje dentro de você… como ela seria?
- Ela pediria colo ou pediria estrada?
- Ela pediria brincadeira ou pediria descanso?
- Ela pediria proteção do seu “eu adulto” ou pediria permissão para existir, mesmo sem desempenho?
Natal é um convite para uma reconciliação: não entre “ser forte” e “ser sensível”, mas entre ser inteiro e ser verdadeiro.
Um mini-ritual de Natal (2–7 minutos)
- Luz pequena: acenda uma vela (ou só a tela do celular com um fundo branco, se for o que dá).
- Mão no peito: respire lento 5 vezes e diga (em voz baixa ou por dentro):
“Eu protejo o que nasce em mim.” - Ato mínimo: ofereça algo simples à sua Criança Divina hoje:
um chá, um banho morno, 10 minutos de música, um desenho rápido, uma oração curta, uma caminhada leve.
Nada grandioso. Nada teatral. Só verdadeiro.
A Criança Divina cresce assim: alimentada por constância, não por fogos de artifício.
Arte e texto: Instituto Anemos- Angela Paulette

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