Jung via a cruz como uma imagem psíquica de alto poder: ela marca a interseção dos opostos. Vertical e horizontal. Alto e baixo. Espírito e matéria. Eternidade e cotidiano. A cruz, quando amadurece dentro de nós, não é um “peso”. É um eixo.
A Cruz de São Bento, com sua simetria e suas letras, acrescenta algo ainda mais interessante: ela não é só forma. Ela é palavra condensada. É como se o símbolo dissesse: “não basta enxergar, é preciso escolher”.
A cruz como psicologia do encontro
Na individuação, a vida sempre nos força a cruzar linhas:
- o que eu quero vs. o que é verdadeiro
- o que eu amo vs. o que eu tolero
- o que eu sonho vs. o que eu sustento
- o que me encanta vs. o que me centra
A cruz aparece quando a psique pede: pare de fugir para um lado só.
O centro da cruz é o ponto onde eu não posso mais mentir para mim.
A Cruz de São Bento como símbolo de discernimento
O círculo ao redor lembra mandala: proteção, contorno, “campo”. E as letras funcionam como mantras de sobriedade. Em termos junguianos, isso é medicina contra duas coisas:
- inflação (o ego que vira “deus”)
- possessão por complexos (o ego que vira “refém”)
Ou seja: é um símbolo para recuperar o governo interno.
Uma leitura simples das letras
As letras costumam ser entendidas como abreviações de frases tradicionais de proteção e firmeza interior (com variações conforme a tradição). Mais importante que decorar tudo é perceber a função psíquica: nomear o mal que desvia e afirmar o eixo que guia.
Ritual curto com a cruz (2 minutos)
Olhe para a cruz (ou imagine). E diga:
- “Eu reconheço o que me desvia.”
- “Eu escolho o que me centra.”
- “Eu sustento meu eixo com serenidade.”
Fechamento ritual:
Toque o centro do peito e finalize: “Que a cruz em mim seja caminho, não castigo.”
Arte e Texto: Instituto Anemos – Angela Paulette

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