Na Missa do Galo do Natal de 2025, realizada no Mosteiro São Bento de São Paulo, o sacerdote lembrou algo precioso: “Noite Feliz” nasceu como “Stille Nacht”, isto é, Noite Silenciosa. Essa troca de “silenciosa” por “feliz” muda a psicologia do Natal.
Felicidade pode virar meta, cobrança, máscara. Silêncio, não. Silêncio é condição de escuta.
O silêncio na visão junguiana
Jung não tratava o silêncio como ausência, mas como matéria de incubação. Sonhos, símbolos e intuições não gostam de barulho contínuo. Eles sobem quando a vida faz uma pequena clareira.
- O silêncio é o lugar onde a psique se rearruma sem precisar justificar nada.
- O silêncio é onde a sombra pode aparecer com menos teatro.
- O silêncio é o idioma do Self quando palavras já não dão conta.
A Noite Silenciosa como rito interno
Se você canta “noite silenciosa”, você está dizendo ao seu inconsciente:
“Pode nascer. Eu não vou te interromper.”
E isso é enorme. Porque muitas dores internas não pedem conselho, pedem um “ambiente”. O silêncio é esse ambiente.
Um exercício de 2 minutos
Hoje, em algum momento, faça isto:
- Desligue tudo por 2 minutos.
- Respire devagar.
- Pergunte: “O que em mim quer nascer sem aplauso?”
Fechamento ritual:
Sussurre: “Que a minha noite seja silenciosa o bastante para o meu sentido nascer.”
Texto e imagem: Instituto Anemos – Angela Paulette

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