Há uma palavra antiga que às vezes é confundida com romance, pressa ou carência. Mas, na psicologia analítica, Eros é outra coisa: é o princípio de ligação. O movimento íntimo que aproxima partes separadas e devolve calor ao que ficou exilado por dentro.
Eros é o oposto do gelo psíquico.
Ele não grita. Ele aproxima.
Na linguagem junguiana, podemos imaginar dois polos dançando: Logos e Eros. Logos organiza, nomeia, estrutura, separa para compreender. Eros reúne, escuta, relaciona, reencanta o que foi fragmentado. Um sem o outro vira caricatura: Logos sem Eros endurece e vira tribunal interno. Eros sem Logos se perde em neblina, promessas, impulsos, idealizações.
Eros maduro é relação com a realidade.
É quando o coração aprende a dizer: “eu estou aqui”, sem abandonar o corpo, sem trair a própria verdade, sem mendigar presença.
Na jornada de individuação, Eros costuma aparecer de um jeito muito específico: como aquilo que reumaniza o que estava desamparado. Às vezes, ele chega como uma imagem interna protetora, um aliado, uma força de cuidado. Outras vezes, chega como disciplina amorosa: a capacidade de permanecer, repetir, aprimorar, gravar, estudar, finalizar. Sim: há Eros na obra bem feita.
Porque Eros não é só desejo.
Eros é vínculo. É sustentar um laço com a própria alma.
Quando Eros é negado
O que não é relacionado, cobra.
O que não é visto, encena.
Quando Eros é reprimido, ele pode voltar como fome sem nome: compulsões, idealizações, urgências afetivas, sensação de vazio, distrações que nos arrancam do eixo. Não é “fraqueza moral”. É um pedido: “relacione-se comigo”. “Traga-me para a mesa”.
Três gestos de Eros consciente (simples e poderosos)
- Nomear o que sente sem se punir
“Hoje existe timidez.” “Hoje existe medo.” Nomear é o primeiro abraço. - Relacionar-se com a imagem interna como mensageira
Em vez de perguntar “o que eu quero sentir?”, pergunte:
“o que essa imagem quer me ensinar sobre coragem, limite, ternura e direção?” - Um ato pequeno no mundo físico
Eros gosta de matéria. Um gesto mínimo e verdadeiro: arrumar o altar, organizar um arquivo, cuidar do corpo, terminar uma página. A alma confia quando a vida mostra constância.
Fechamento ritual (para o final do post)
Coloque uma mão no peito e outra no ventre.
Inspire contando 4, segure 2, solte em 6. Repita 7 vezes.
E diga, com voz interna firme e mansa:
“Eros em mim é vínculo com a verdade.
Eu me aproximo do que sou, com coragem e doçura.
Eu relaciono, eu integro, eu concluo.
Um passo de cada vez, a obra me encontra.”
Texto e imagem: Instituto Anemos – Angela Paulette

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