Mães Ancestrais, caminhos de ferro e o espelho infinito
Há dias em que a vida se comporta como um oráculo: não explica, mas encadeia. Você entra num espaço e sai com uma frase no corpo. E o corpo, sábio, entende antes da mente.
Foi assim na visita à exposição “Ònà Irin: caminho de ferro”, da artista Nádia Taquary no Sesc Belenzinho. O próprio título já é um portal: caminho de ferro é trilho, é travessia, é destino coletivo. Mas também é psique: aquilo que nos conduz mesmo quando não estamos pensando.
O trilho como símbolo
Trilhos são linhas que não improvisam: eles sugerem direção. Ao mesmo tempo, cruzam, bifurcam, se afastam e se reencontram. Dentro da exposição, a sensação é de caminhar por uma cartografia de presenças: figuras, materiais, brilhos, sombras, texturas. O ferro não é só metal: é memória compactada, história sedimentada, corpo do tempo.
E então acontece o que eu chamo de momento espelho: em um ponto, surge um espelho “infinito”, e nele você se vê dentro da obra. Não como visitante fora do mundo, mas como parte da paisagem. Isso não é vaidade. É devolução de rosto. É devolução de alma.
As sereias e as mães: cuidado em tempos de transição
A educadora trouxe uma reflexão que ficou vibrando: as Mães Ancestrais descem ao mundo para sustentar quem está em transição. Como se existisse uma rede invisível dizendo: “Agora é travessia, mas você não atravessa sozinho.”
Texto e imagem: Instituto Anemos – Angela Paulette

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