Manifesto da Vila da Sinarquia

A Terra é um organismo vivo, e cada ser é uma célula que coopera para o seu florescimento.
A Vila da Sinarquia nasce dessa certeza: o mundo só se sustenta quando o poder se transforma em partilha e o lar volta a ser sinônimo de abrigo, alimento e criação.

Inspirada na geometria das colmeias, na harmonia do Vastu Shastra e na psicologia simbólica de Jung, a vila organiza-se como uma mandala viva.
No centro, o espaço espiritual, onde o fogo, a música e o silêncio lembram a todos que o coração humano é o verdadeiro templo.
Ao redor, doze moradias hexagonais — cada uma autônoma, mas ligada às outras por caminhos de hortas e pomares.
E, no anel externo, a floresta que respira, protege e nutre: o anel do trabalho e cultivo, onde as mãos se unem à terra.

Aqui não há muros, apenas linhas de encontro.
A energia solar alimenta, a chuva é colhida e devolvida limpa ao solo.
As casas, simples e desmontáveis, lembram que tudo o que é essencial pode ser leve.

A Vila da Sinarquia não é um empreendimento, mas uma semente replicável.
Cada comunidade, cada família, cada grupo de amigos pode adaptar o desenho, respeitando o espírito da cooperação.
O objetivo não é construir um lugar, e sim cultivar uma consciência:
a de que o verdadeiro progresso é o bem-estar compartilhado.

O Instituto Anemos assume a função de primeiro protótipo dessa visão — um campo de experiências que une espiritualidade, arte, ciência e ecologia.
Aqui estudam-se as relações entre o visível e o invisível, entre o humano e o planeta, até que o trabalho e o amor se tornem uma só força.

Sinarquia significa “governo conjunto”.
No Instituto e na vila, isso se traduz em cuidado mútuo, decisões horizontais e respeito à diversidade.
Cada gesto, do pão assado ao livro escrito, é uma oferenda ao mesmo sopro que move o universo.

Que esta vila seja uma lembrança do que podemos ser quando o poder se transforma em serviço e o lar se torna templo.
Que cada hexágono abrigue um sonho, e que a humanidade volte a viver em harmonia com a Terra.

“Não somos donos do solo que pisamos.
Somos o solo que desperta.”