Assisti ao recital de harpa de Danielle Kuntz, apresentado por Robert Voisey do Vox Novus no projeto Fifteen-Minutes-of-Fame, e fui tomada por um encantamento delicado e profundo. Em quinze obras breves, compostas por artistas de diferentes lugares do mundo, a harpa pareceu atravessar muitos estados da alma: iniciação, infância, mistério, recolhimento, clarão, destino, floresta, água, aurora e ciclo eterno.
O recital inicia com David Bohn, e aqui reverbera uma música de iniciação, apontando para um caminho oculto que poucos ousam trilhar.
Em Pablo Fedele, surge uma inocência antiga da infância: leveza, doçura, folhas dançando sob o sol suave, quase uma cantiga de ninar.
Anneloes Wolters flui como um som que ainda não nasceu, algo que se nutre, se fortalece e dança seu mistério no útero escuro.
Em Josh Trentadue, sinto a leveza do recolhimento, a apreciação do que é inevitável, uma calma diante do reconhecimento.
Uma força elétrica aparece em Sandro Montalto: clarão na noite, eletricidade e luz como uma mensagem do céu, incandescente.
David Peoples emana a chegada do recolhimento, a beleza etérea de uma manhã fria se embranquecendo.
Em Ali A’râb, o som se entrelaça, tramando vidas na dança dos fios que se encontram na teia infinita das Moiras do destino.
Com Greg Pfeiffer, vem o arrepio: ave noturna e misteriosa, olhos abertos na floresta escura, no breu do mistério profundo.
Em Kevin Rose, a água se congela como se refletisse o céu: matéria e espírito, visível e invisível, fusão de opostos que se complementam.
Dionicio Aguirre Treviño traz a busca da luz na penumbra, gotas de orvalho cintilando na madrugada que antecede a manhã, e o estremecer da noite diante da aurora.
Peregrine Wade desperta a vida latente, notas suaves daquilo que se inicia, como a própria fonte da juventude.
Sebastian Zaczek soa como ecos distantes, remanescentes das estrelas cintilantes: cada nota brilha em luz e pulsa em mistério.
Em P. Kellach Waddle, há reconhecimento e encanto diante da alma antiga, a verdade do encontro com o Self em uma dança infinita.
Michael Goodman entra como uma anunciação encantada, uma revelação da aurora.
E o recital se encerra suavemente com Michael Coleman, no ciclo eterno e infinito do encanto.
Gratidão a Danielle Kuntz por dar corpo, delicadeza e presença a essas obras, e ao Vox Novus por abrir espaço para a música contemporânea, para compositores vivos e para a harpa como território de escuta, imaginação e revelação.
#VoxNovus #DanielleKuntz #FifteenMinutesOfFame #ContemporaryMusic #Harp #NewMusic #HarpMusic #ContemporaryHarp #LivingComposers #MusicAndSoul

Deixe um comentário